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A pergunta sem resposta

Editorial

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
25 abr 2012, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h28
  • Sérgio Gwercman, diretor de redação

    Meu avô sobreviveu ao Holocausto. Foi praticamente o único da família – sobrou também uma prima distante na Bélgica. O tempo não apagou as cicatrizes, mas ele aprendeu a conviver com elas.

    Há cerca de 10 anos, fizemos uma viagem de família para a Polônia, o país onde ele cresceu e também o principal cenário da tragédia. Eu estava todo emocionado em vê-lo voltar para a terra natal pela primeira vez depois da guerra, um lugar que trazia tantas más lembranças. Mas meu avô estava mesmo é contente pela oportunidade de poder falar novamente em polonês, redescobrir a cidade de Varsóvia, nos mostrar onde tinha sido criança. Parecia feliz da vida até o dia em que fomos visitar a casa onde ele tinha vivido com os pais e os 3 irmãos, na Rua Bonifraterska, número 10. Na manhã seguinte ele acordou borocoxô. Estava incomodado com uma dúvida: “por que eu?”. Sentado na cama do hotel, ele se fazia a pergunta que o acompanhou durante toda a vida: “Eu não era o mais forte dos meus irmãos. Não era o mais inteligente deles. Nem mesmo o mais corajoso eu era. Por que, então, justo eu fui o único sobrevivente?”.

    Eu sempre acreditei que a resposta para essa pergunta era uma só: sorte. Foram tantas as situações em que ele esteve diante da morte, e tão banais as maneiras como ele escapou de cada uma delas, que não havia como explicar tudo sem recorrer ao acaso em seu estado mais puro. Mas, a reportagem de capa deste mês, um belo trabalho da repórter Carol Castro, me ensinou que as coisas são um bocado mais complexas. Que, se é verdade que sorte conta muito, não é certo acreditar que ela venha somente do acaso. A sorte é composta por uma série de variantes – e você verá que algumas delas podem ser manipuladas por nós.

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    Isso não quer dizer que sobreviver esteja nas suas mãos. Em situações extremas, o espaço de possibilidades ao alcance de cada indivíduo é minúsculo. E, muitas vezes, inexistente. Mas, quando uma fresta se abre, não basta ser o mais forte, o mais corajoso ou o mais inteligente. É preciso ser o mais adaptável às dificuldades. E talvez aí esteja um pedacinho da resposta para a dúvida que atormentou o meu avô.

    Um grande abraço.

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