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“Doomscrolling” é ruim para seu cérebro – e para o seu corpo também

Um estudo descobriu que passar muito tempo imerso em notícias ruins aumenta o estresse e a ansiedade, além de levar a problemas de saúde.

Por Leo Caparroz
12 set 2022, 19h11 • Atualizado em 14 set 2022, 13h18
  • Não faltam notícias preocupantes na mídia. Com o mundo em pandemia, uma guerra na Ucrânia e uma crise climática, é impossível não ler sobre tudo isso e comentar também. Consumir muitas informações desse tipo pode, contudo, levar a maus resultados de saúde mental e física, segundo uma pesquisa.

    “Doomscrolling” é a tendência a gastar uma quantidade excessiva de tempo com notícias negativas, tristes e deprimentes, uma prática que os pesquisadores descobriram que cresceu desde o início da pandemia. A palavra vem da justaposição de dois termos em inglês: doom, que significa ruína, e scrolling, o ato de rolar a tela do feed.

    O estudo descobriu que 16,5% das cerca de 1.100 pessoas pesquisadas mostraram sinais de consumo “severamente problemático” de notícias, o que levou a níveis maiores de estresse, ansiedade e questões de saúde.

    Em vez de se desligarem, esses indivíduos entram num círculo vicioso, em que se tornam cada vez mais atraídos e obcecados pelas notícias. Para aliviar seu sofrimento emocional, eles continuam verificando atualizações o tempo todo. “Mas isso não ajuda, e quanto mais eles checam as notícias, mais elas começam a interferir em outros aspectos de suas vidas”, afirma Bryan McLaughlin, principal autor do estudo.

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    27,3% dos entrevistados tinham níveis “moderadamente problemáticos” de consumo de notícias, 27,5% foram minimamente impactados e 28,7% não tiveram problemas.

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    Enquanto alguns leitores recebem atualizações de notícias sem consequências psicológicas, outros demonstram uma obsessão mais compulsiva pela mídia e lutam para se desapegar das más notícias que leem.

    Dentre os voluntários, estes obcecados pontuaram alto em cinco dimensões de consumo problemático listadas pelos pesquisadores: ficar alheio dentro do conteúdo das notícias, preocupar-se com as notícias, tentar reduzir a ansiedade consumindo mais notícias, achar difícil evitar as notícias e deixar o consumo de notícias interferir em sua vida diária.

    A pesquisa descobriu que aqueles com níveis mais altos de consumo problemático eram significativamente mais propensos a ter problemas de saúde mental e física. Dos que estavam no nível de consumo “severamente problemático”, 74% relataram ter problemas de saúde mental e 61%, problemas físicos; comparado com 8% e 6,1% dos outros participantes do estudo.

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    Os pesquisadores já esperavam que uma parte considerável dos voluntários demonstraria sinais de consumo problemático de notícias. Mesmo assim, eles ficaram surpresos quando descobriram que quase 17% dos participantes estavam no nível mais grave do espectro de consumo.

    “Isso é certamente preocupante e sugere que o problema pode ser mais generalizado do que esperávamos. Muitas pessoas parecem estar experimentando uma quantidade significativa de ansiedade e estresse devido a seus hábitos de consumo de notícias”, conclui McLaughlin.

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