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Botos-cor-de-rosa se comunicam através da urina, mostra estudo

Para os cientistas da pesquisa, os animais podem usar o xixi como meio de reafirmação de poder social e físico.

Por Manuela Mourão 19 abr 2025, 14h00

A patente do vaso sanitário como conhecemos hoje só surgiu em 1775, com o escocês Alexander Cumming, responsável por integrar os banheiros das casas ao sistema de esgoto. Antes disso, fazer o número um ou o número dois era, muitas vezes, uma atividade coletiva — o direito ao xixi privado era reservado às castas mais altas.

O uso de banheiros coletivos é uma tradição que existe há séculos. Os antigos romanos, por exemplo, tinham casas de banho exclusivas para as necessidades fisiológicas. Esse comportamento comunitário é uma herança dos nossos antepassados.

Lá atrás, antes de nos separarmos na árvore evolutiva dos grandes primatas, aprendemos com o nosso ancestral comum que ir ao banheiro podia ter uma função social — aliás, muitas mulheres ainda seguem esse critério rigorosamente.

Porém, nós e os grandes primatas não somos os únicos a encarar a urina como um momento social. Pesquisadores que conduziram um novo estudo com botos-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) mostraram que o xixi também está presente na comunicação desses animais. A pesquisa foi publicada no periódico científico Behavioural Processes.

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“Os animais em geral querem aprender o máximo possível sobre outros animais, como sexo, dominância, espécie e assim por diante”, diz Thomas Breithaupt, ecologista sensorial da Universidade de Hull, na Inglaterra, para a Scientific American, “e muitas informações estão na urina”.

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O estudo liderado pelo grupo de Breithaupt registrou um comportamento inusitado: a urinação aérea. A cena foi observada no Rio Amazonas e funciona mais ou menos assim: um golfinho-cor-de-rosa macho vira a barriga para cima e ejeta um jato de urina para o ar, formando uma espécie de fonte. Em 70% dos casos, a ação atrai a atenção de outro macho, que se aproxima em seguida.

Para Claryana Araújo-Wang, bióloga do Projeto de Pesquisa Botos do Cerrado, esse comportamento pode ser uma forma de reforçar a condição física dos animais ou indicar sua posição social.

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Não é a primeira vez que animais aquáticos usam o xixi como forma de comunicação: peixes e crustáceos já são conhecidos por adotar essa estratégia para sinalizar tamanho, agressividade, status social e prontidão para o acasalamento. Em algumas espécies, as fêmeas escolhem machos com sistemas imunológicos compatíveis com os seus com base no cheiro da urina.

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No caso dos botos, porém, os pesquisadores ainda precisam continuar investigando para entender exatamente o que a “fonte de xixi” representa.

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