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Crocodilos reconhecem e reagem ao choro de bebês humanos

A choradeira de um filhote de bonobo, chimpanzé e uma criança humana despertou interesse nos crocodilos: provavelmente, interessados em um potencial almoço.

Por Leo Caparroz 9 ago 2023, 19h22

Tirando o instinto predatório, crocodilos dariam ótimas babás. Eles não só reconhecem quando um bebê está chorando, como também são melhores em identificar o nível de estresse da criança do que nós, humanos. Com um porém: o que para nós é um pedido de ajuda, para eles é um aviso de almoço.

É o que mostra um novo estudo, publicado no periódico Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences. Bebês de várias espécies – primatas, aves e até répteis – usam certo tipo de vocalização para avisar aos adultos quando algo não está certo. Os pesquisadores da Universidade de Saint-Étienne, na França, defendem que algumas características do choro de bebês podem ser entendidas por outras espécies, como os crocodilos.

Os cientistas usaram 24 choros de crianças primatas, sendo 12 humanos, 6 bonobos em zoológicos europeus e 6 chimpanzés selvagens de Uganda. O motivo do berreiro variava para cada áudio; os macacos poderiam brigando ou querendo atenção da mãe, enquanto os humanos estavam irritados com um banho ou uma vacina.

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Analisando as gravações, eles identificaram 18 variáveis acústicas de um choro, como tom, quantidade e duração das sílabas, sons caóticos e harmônicos. Então, montaram alto-falantes em uma instalação ao ar livre no Marrocos, em que cerca de 300 crocodilos-do-Nilo estão livres para vagar por vários lagos. 

Conhecidos por terem excelente audição, os animais foram expostos aos choros. Imediatamente, vários deles deixaram suas posições e foram investigar a origem do barulho. Crocodilos não são animais que se mexem muito, então qualquer movimento é considerada uma reação forte. Alguns investigaram os alto-falantes por terra, outros se aproximaram por debaixo d’água, e alguns até tentaram morder os alto-falantes.

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Ao usar a análise de software dos elementos acústicos das gravações, junto do vídeo das reações dos crocodilos, a equipe pinçou exatamente quais aspectos dos gritos produziram reações nos crocodilos – que até foram comparadas com reações humanas. 

Apesar de serem parentes distantes, os crocodilos sabiam analisar o sofrimento de um bebê bonobo com mais precisão do que os Homo sapiens. Segundo os cientistas, confiamos tanto no tom (e isso faz com que superestimemos a angústia dos bonobinhos) que costumam ter gritos agudos sempre. Quanto mais agudo o choro, mais os humanos achavam que o bebê estava aflito.

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Por outro lado, os répteis prestavam atenção em outros aspectos. As reações deles eram mais fortes quando as gravações tinham características acústicas mais caóticas e intensas em frequências altas.

Segundo os pesquisadores, as descobertas sugerem que a presença de crocodilos na região em que os primeiros humanos evoluíram pode ter sido um problema. Esses predadores estariam à espreita, esperando um bebezinho indefeso ficar só.

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Contudo, nem todos reagiram de forma predatória aos gritos. De acordo com os cientistas, alguns indivíduos pareciam mostrar comportamento protetor, se posicionando na frente do alto-falante, como se quisessem protegê-lo dos outros. Na natureza, crocodilos fêmeas frequentemente defendem seus filhotes de machos canibais. Parece que a preocupação com uma prole chorona não é só humana.

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