Sociabilidade dos gatos depende de aspectos biológicos, revela estudo
Diferentes hormônios e bactérias intestinais influenciam, para mais ou para menos, a afetividade dos bichanos.
Os gatos na natureza são solitários e territoriais; contudo, evoluíram para adquirir as habilidades necessárias para o convívio em grupos – especialmente depois de serem trazidos para perto dos humanos. Um novo estudo sugere que há uma ligação entre essa sociabilidade e os microbiomas intestinais dos gatos domésticos; hormônios também podem explicar a razão de alguns felinos se darem melhor com seus colegas do que outros.
Os pesquisadores dividiram 15 gatos de abrigo em grupos, colocando cinco felinos aleatórios em três salas de 4 por 7 metros durante duas semanas. Nesse período, eles usaram câmeras de vídeo para observar o comportamento dos gatos e coletaram urina e fezes para medir hormônios e espécies microbianas presentes.
O microbioma intestinal é o conjunto de todos os microorganismos – como bactérias – que vivem no trato digestivo de animais e humanos; o bem-estar dessa fauna intestinal tem efeitos surpreendentes na saúde.
Entre os hormônios, os cientistas focaram na avaliação dos níveis de cortisol, testosterona (ambos ligados a comportamentos agressivos) e ocitocina.
[abril-veja-tambem]W3sidGl0bGUiOiJHYXRvczogcG9yIGRlbnRybyBlIHBvciBmb3JhIiwiaW1hZ2VMb2FkZWQiOiIiLCJsaW5rIjoiaHR0cHM6Ly9zdXBlci5hYnJpbC5jb20uYnIvY2llbmNpYS9nYXRvcy1wb3ItZGVudHJvLWUtcG9yLWZvcmEvIiwiaGVhZGluZyI6IiIsImhlYWRpbmctbGluayI6IiJ9LHsidGl0bGUiOiJRdWFpcyBwYcOtc2VzIHTDqm0gbWFpcyBhbmltYWlzIGRlIGVzdGltYcOnw6NvPyAiLCJpbWFnZUxvYWRlZCI6IiIsImxpbmsiOiJodHRwczovL3N1cGVyLmFicmlsLmNvbS5ici9jb2x1bmEvb3JhY3Vsby9xdWFpcy1wYWlzZXMtdGVtLW1haXMtYW5pbWFpcy1kZS1lc3RpbWFjYW8vIiwiaGVhZGluZyI6IiIsImhlYWRpbmctbGluayI6IiJ9LHsidGl0bGUiOiJQb3IgcXVlIGdhdG9zIHPDo28gbWFpcyBpbmRlcGVuZGVudGVzIHF1ZSBjYWNob3Jyb3M/IiwiaW1hZ2VMb2FkZWQiOiIiLCJsaW5rIjoiaHR0cHM6Ly9zdXBlci5hYnJpbC5jb20uYnIvZXNwZWNpYWlzL3Bvci1xdWUtZ2F0b3Mtc2FvLW1haXMtaW5kZXBlbmRlbnRlcy1xdWUtY2FjaG9ycm9zLyIsImhlYWRpbmciOiIiLCJoZWFkaW5nLWxpbmsiOiIifV0=[/abril-veja-tambem]
Eles descobriram que gatos com concentrações mais altas de cortisol e testosterona exibiam menos comportamentos sociais – como compartilhar comida e cheirar os outros – enquanto os com quantidades mais baixas de cortisol e testosterona eram mais sociais. Além disso, gatos com microbiomas semelhantes também tiveram contato mais frequente entre si, e gatos com níveis mais altos de testosterona eram mais propensos a tentar fugir.
Os pesquisadores se surpreenderam com os resultados – especialmente com a inesperada ação da ocitocina. Conhecida como “hormônio do amor”, ela é liberada em situações de prazer e afeto. No caso dos felinos, aqueles com alta ocitocina eram os que apresentavam comportamento menos afiliativo (formavam menos relações com os demais). É o contrário do que costuma acontecer em outros animais.
Essas descobertas mostram que os hormônios podem ter diferentes influências entre as espécies, e que os gatos podem demonstrar afeto de jeitos diferentes de outros animais. Não só através do contato físico direto, a proximidade também mostra o quanto os bichanos gostam de outro sujeito; e quanto mais próximo, mais amigável.
Assim como os humanos, os animais têm formas complexas e únicas de demonstrar seu afeto. Mais do que saber a complexa biologia por trás do fenômeno, no fim das contas, reconhecer que seu gatinho gosta de você é o que realmente importa.





