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Mulheres que mudaram a história: Wú Yí

Ela foi uma das personalidades mais poderosas da política da China no século 21. De tão independente, foi aposentada por ordem do partido

Por Tiago Cordeiro 6 mar 2018, 11h32 | Atualizado em 22 fev 2024, 10h06
wu-yi
(Maurício Planel/Mundo Estranho)

O que foi: vice-primeira- ministra
Onde vive: China
Quando nasceu: 1938

A médica e ativista Gao Yaojie estava incomodando o governo chinês. Ela queria que o Ministério da Saúde desse atenção ao aumento dos casos de aids na cidade de Zhengzhou. Quando não foi ouvida, convocou a imprensa internacional.

Pois a ministra da saúde decidiu ouvir as reclamações de Gao Yaojie. Foi uma reunião curiosa: duas mulheres na sala e vários homens do lado de fora tentando ouvir a conversa. A ministra era  , uma das maiores lideranças da China neste século 21.

O episódio ajuda a entender o que aconteceu com as duas. Depois de ousar questionar o sistema político chinês, cada uma à sua maneira, ambas perderam expressão política. Gao Yaojie hoje vive no exílio, em Nova York.   acabou forçada a se aposentar em 2007.

DAMA DE FERRO
  nasceu na cidade de Wuhan, uma das mais importantes e populosas do centro do país. Perdeu os pais na infância e foi criada por seu irmão, oito anos mais velho do que ela. Estudou engenharia e se especializou na exploração de petróleo.

Acabou por se tornar gerente da refinaria Dongfang, uma das maiores da capital, Pequim. Dali seguiu para cargos públicos. Começou como vice-prefeita da cidade, bem na época dos protestos da Praça da Paz Celestial, em 1989, que provocaram um verdadeiro massacre ao ar livre.

Apesar da tragédia de relações públicas que o incidente representou, ela conseguiu convencer uma das categorias que vinha protestando, os mineradores, a voltar ao trabalho. Evitou assim um novo massacre, porque o governo estava pronto para agir com agressividade. A partir desse episódio,   se tornou a mulher que os homens poderosos mandavam para fazer o trabalho pesado.

E ela deu conta do recado com tamanha firmeza que acabou recebendo da imprensa local o apelido de Dama de Ferro da China (o equivalente da durona Margareth Thatcher para os ingleses).

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PODER E INIMIGOS
Como ministra do Comércio Exterior, ela negociou ajustes nas fábricas de seu país, de maneira a diminuir as reclamações dos americanos, que criticavam a exportação em massa de produtos piratas. Alcançou um meio-termo que permitiu à China entrar para a Organização Mundial do Comércio.

Mas o auge da fama e do reconhecimento veio em 2003. Escalada para assumir o Ministério da Saúde, Wú Yí saiu em busca de diálogo. Em contato com a Organização Mundial da Saúde e colegas americanos e europeus, ela forneceu informações cruciais para que o mundo aprendesse a lidar com a epidemia de gripe aviária. No mesmo ano, foi escolhida vice-primeira-ministra.

Mas, nesse momento, sua fama incomodava. Ao chegar perto dos 68 anos, a idade em que tradicionalmente as autoridades políticas chinesas se afastam (ou são afastadas), a ministra deixou a vida pública. Pediu para ser esquecida e hoje leva uma vida bastante discreta.

 

SEUS GRANDES ACERTOS

  • Foi transparente
    Sua postura durante o surto de crise aviária foi exemplar.   abriu dados da China e dialogou com ministros de outros países
  • Negociou bem
    Como chefe do comércio exterior, alcançou grandes vitórias para a China. Negociou ajustes na fabricação dos produtos para exportação
  • Ouviu opositores
    Era famosa por dialogar com pessoas contrárias ao regime político do país, mesmo que isso irritasse muitos líderes influentes

SEUS GRANDES FRACASSOS

  • Perdeu parceiros
    A ministra fez de tudo para convencer a Coreia do Norte a encerrar o desenvolvimento de armas nucleares e reduzir a agressividade em relação ao Ocidente. Não conseguiu, e ainda provocou atritos diplomáticos entre as lideranças chinesas e norte-coreanas
  • Desagradou políticos
    No momento em que era muito popular e tinha um dos salários mais altos na classe política do país, foi compulsoriamente aposentada. Isso porque fez muitos inimigos e não conseguiu fazer os acordos políticos necessários para se manter

DICA DE LIVRO

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Para explicar a epidemia de gripe, a Contexto publicou Pandemias, de Stefan Cunha Ujvari

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