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O domínio da linguagem pode prever longevidade em idosos

Dentre as características cognitivas consideradas em estudo, a fluência verbal é a mais importante para prever uma vida longeva.

Por Eduardo Lima 30 abr 2025, 19h00

Ler o dicionário pode ajudar a ter uma vida mais longeva? Não exatamente, mas um estudo publicado em fevereiro deste ano mostra que o tamanho do vocabulário, a habilidade para usá-lo e a fluência verbal estão ligados à longevidade – e podem ajudar a prevê-la.

Pesquisas anteriores já ligaram longevidade a inteligência, mas mas isso é algo difícil de definir. Não há um consenso científico sobre o que é a inteligência humana. O mais próximo de uma definição que existe é dizer que inteligência são muitas coisas, desde capacidade lógica até autoconhecimento e controle emocional. O novo estudo, publicado no periódico Clinical Psychological Science, analisou um traço importante da inteligência: a capacidade de comunicação.

O estudo liderado por Paolo Ghisletta, da Universidade de Genebra na Suíça, partiu de amostras do Berlin Aging Study, uma pesquisa multidisciplinar que aconteceu a partir de 1989 e investigou pessoas entre 70 e 105 anos que moraram na Berlim Ocidental durante a Guerra Fria. 516 pessoas participaram do grande estudo, que chegou a acompanhar alguns idosos por 18 anos.

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Saúde dentária, níveis de estresse e bem-estar econômico eram levados em conta, junto de testes cognitivos que estudavam a fluência verbal dos idosos. Na pesquisa liderada por Ghisletta, os cientistas buscaram entender quais aspectos cognitivos têm mais relações com longevidade.

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Falar bem faz bem

No mega estudo dos idosos de Berlim, quatro habilidades cognitivas foram registradas: fluência verbal, velocidade perceptiva, conhecimento verbal e memória episódica. Todas essas categorias foram medidas com diversos testes. Um deles, por exemplo, pedia para os participantes nomearem a maior quantidade de animais que conseguissem em 90 segundos.

Os pesquisadores escolheram nove desses testes cognitivos para analisar como o desempenho dos participantes mudava e como isso ajudava a estimar sua longevidade, desenvolvendo um modelo computacional que relacionava essas mudanças ao risco de morte.

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De todas as categorias cognitivas, a fluência verbal era a única ligada de forma significativa à longevidade. A explicação por trás dessa conexão ainda não é clara: será que a literatura tem poderes especiais para alongar a vida? Ler o dicionário pode aumentar a longevidade? Pode até ser uma ideia legal, mas é bem improvável. Novos estudos na área podem analisar a relação com mais profundidade, recorrendo a bases de dados diferentes.

Os processos cognitivos estão ligados à saúde física do corpo, explicou Ghisletta em um depoimento. “Todos esses domínios estão entrando em declínio juntos, quer seja cognição, personalidade, emoções ou mesmo declínio biológico e médico”. Por isso, um bom jeito de medir bem-estar é prestando atenção na fluência verbal. E ela não existe sozinha: essa habilidade mobiliza memória de longo prazo, vocabulário, eficiência e até memória visual. Falar bem é um baita exercício para o cérebro.

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