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Inteligência artificial aprende conceitos básicos da física clássica

O algoritmo foi alimentado com vídeos sem pé nem cabeça. E aprendeu a distinguir os que obedecem às leis da física.

Por Leo Caparroz 15 jul 2022, 09h07 | Atualizado em 9 ago 2022, 14h18

Criado pela empresa de Inteligência Artificial britânica DeepMind, o programa foi batizado de PLATO, sigla em inglês para “aprendizado de física por autocodificação e rastreamento de objeto”, e foi criado para entender que objetos no mundo material seguem à risca as leis da física.

A DeepMind foi adquirida pela Google em 2014, e já contribuiu para o ramo de IAs com Flamingo, um programa que descreve com precisão uma foto usando apenas algumas imagens de treino, e com AlphaZero, um programa que derrotou os melhores adversários robóticos e humanos em partidas de xadrez.

Os cientistas procuraram tocar numa questão importante com a PLATO. Segundo eles, “algo está faltando” nas principais Inteligências Artificiais; elas “ainda têm dificuldade em capturar o conhecimento de ‘senso comum’ que guia previsões, inferências e ações em cenários humanos cotidianos”.

Pensando nisso, eles focaram em ensinar um conhecimento “intuitivo”: física clássica. Não é preciso assistir a uma aula de física para saber empiricamente que “tudo que sobe desce” e “dois objetos não ocupam o mesmo lugar”. PLATO foi treinada com vídeos de simulações de objetos se comportando da forma que deviam. Foram usados prismas retangulares e esferas de tamanhos e massas variados para simular colisões, tipos de movimentos variados, queda livre, entre outros.

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Os pesquisadores criaram 300 mil cenários divididos em cinco conceitos que buscavam ensinar, como persistência de objeto (eles não desaparecem do nada), continuidade (objetos traçam um caminho contínuo) e solidez. Exames parecidos são feitos com crianças para testar o caráter inato do entendimento de física, o que inspirou os cientistas a aplicarem esse tipo de teste.

Um dos cenários, por exemplo, mostrava dois pilares dispostos com um vão entre eles. Uma bola se aproxima rolando e passa por trás dos pilares, aparecendo no fundo entre eles e reaparecendo do outro lado em seguida. Parece óbvio por já entendermos esse conceito.

Aí entra o próximo passo do estudo. PLATO também recebeu cenas ilógicas, em que os objetos não obedeciam às leis da física. Por exemplo, na cena recém-descrita, a bola simplesmente não era visível entre os pilares, mas saía de trás do segundo como se estivesse em seu trajeto normal.

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Depois das aulas expositivas, os cientistas pediram que PLATO previsse o que aconteceria em novos vídeos. Eles atestaram que as suposições da IA eram predominantemente corretas quando o vídeo condizia com a física; mas ela errava com frequência nos cenários absurdos.

Com esses resultados, os cientistas afirmam que visões de mundo centradas em objetos poderiam fornecer habilidades mais generalizadas e adaptáveis para uma IA. “Se você considerar os diferentes cenários que uma maçã pode estar, você não precisa aprender sobre uma maçã em uma árvore, uma maçã na sua cozinha e uma maçã na lixeira. Quando você isola o objeto, você está em melhor posição para generalizar como ele se comporta em novos sistemas,” conta Luis Piloto, um dos autores do estudo.

A representação centrada no objeto permitiu à PLATO aprender princípios da física com maior eficiência de dados; e fazer bom uso dessa informação ajuda a diminuir os requisitos para treinar e aplicar modelos de IA. Com Inteligências Artificiais crescendo, facilitar sua aplicação pode acelerar ainda mais o desenvolvimento dessa tecnologia.

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